FSM Dacar: Lula na TV Carta Maior

O ex-presidente do Brasil afirmou que a única solução para garantir a paz no mundo é a democracia e a distribuição de renda. Valorizou o espaço do Fórum Social Mundial para aprimorar a participação e que estará na próxima edição.

Sempre cercado por admiradores e amigos, Luís Inácio Lula da Silva foi recebido com carinho e ansiedade pelos participantes do Fórum Social Mundial, em Dacar (Senegal).
Lula participou de mesa de debate, conversou com chefes de Estado e na saída concedeu uma entrevista à TV Carta Maior.
O ex-presidente do Brasil comentou a situação nos países árabes. Ao defender um diálogo internacional de rearranjo de poder nas esferas de decisões políticas e econômicas multilaterais, Lula afirmou que a única solução para garantir a paz no mundo é a democracia e a distribuição de renda. “Eu acho que o mundo vai ter que avançar nisso”.
Valorizou o espaço do Fórum Social Mundial para aprimorar a participação e que estará na próxima edição. Nesse sentido, afirmou que sua participação pode ser como assistente, militante, companheiro, mas estará no próximo também. Confira a íntegra da entrevista:


Fonte: PT - SP

Comemorações marcam centenário de Lélia Abramo


A Fundação Nacional de Artes - Funarte convida para a comemoração do Centenário Lélia Abramo, dia 8 de fevereiro, terça-feira, a partir das 19:00h no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em São Paulo.
Neste dia, a homenagem contará com a presença de artistas amigos da atriz Lélia que farão a leitura dramática da poesia de Maiakovski e leitura de trechos do livro "Vida e Arte - Memórias de Lélia Abramo", a música "Bella Ciao", cantada pelo Coro Martin Luther King, um vídeo com imagens selecionadas e a dramaturgia do Núcleo 184, que apresentará fragmento da peça "Rosa Vermelha", além de breves depoimentos de amigos e familiares.
A comemoração pretende marcar o início das homenagens à Lélia Abramo, com destaque para sua trajetória como artista, militante política e mulher comprometida com o melhor das artes.

Mais informações sobre a homenagem, contatar Fábio Abramo (fone 11-7504 4861) ou Tadeu di Pietro (11-9943 7713 / 8278 5577).

Centenário Lélia Abramo
8 de fevereiro de 2011 – terça, a partir das 19:00h
Teatro de Arena Eugênio Kusnet
Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – República
Telefone: (11) 3256-9463
 
 
Por Editora Fundação Perseu Abramo


Foi dada a largada para a 2ª Conferência Nacional de Juventude


O ano de 2011 inaugura um novo ciclo político no Brasil. As eleições de 2010 renovaram a composição do Congresso Nacional, (re) elegeram novos/as Governadores/as e conduziu Dilma Roussef como a primeira Presidenta da República do Brasil.
A Presidenta Dilma assumiu o compromisso de avançar o projeto político iniciado por Lula. Porém, temos consciência de que as mudanças e o aprofundamento das transformações sociais e políticas no Brasil dependem da capacidade de organização e da pressão do movimento social.
O desafio da juventude se torna muito grande nesse contexto. Vivenciamos uma série de conquistas com a construção da Política Nacional de Juventude (Lei 11.129/2005), com a criação da Secretaria Nacional de Juventude, do Conselho Nacional de Juventude, da execução do PROJOVEM e de políticas universais em várias áreas. No entanto, é preciso afirmar que as pautas da juventude ficaram fora do debate eleitoral e, ao que parece, é um tema periférico neste início de Governo. Muito se fez com Lula e, mesmo assim, estamos muito distante das expectativas dos/as jovens brasileiros/as.
Nos últimos anos, muitos foram os avanços no tema com a criação de conselhos e órgãos de gestão em inúmeros municípios e Estados brasileiros; com a aprovação da Emenda Constitucional 65 que introduziu a terminologia “Juventude” na Constituição Federal; com a realização de três edições do Encontro Nacional de Conselhos e; com a organização do Pacto da Juventude subscrito por inúmeros candidatos em todo o Brasil.
O ano de 2010 foi marcado pela maior população jovem de nossa história: 51 milhões. Nas próximas três décadas o Brasil viverá o chamado bônus demográfico, período que teremos uma população economicamente ativa maior do que a dependente, que atingirá seu pico no ano de 2022. Esta, sem dúvida, é uma das maiores oportunidades já vividas pelo país, somada ao bom momento político e econômico do Brasil com aumento dos empregos formais, diminuição da desigualdade social e a possibilidade de consolidação do processo democrático. Por isso, o Brasil está diante de uma oportunidade única e o lugar que assumirá a juventude neste processo é uma questão central para projetar uma sociedade justa, desenvolvida e que assegure qualidade de vida aos seus cidadãos.
Portanto, a realização da 2ª Conferência Nacional de Juventude, convocada por Decreto Presidencial no dia 12 de Agosto de 2010, com previsão de realização no ano de 2011, ganha centralidade na agenda política das juventudes. Estas precisam afirmar o seu direito de participar como sujeito estratégico do projeto de desenvolvimento do Brasil.
Na gestão de Lula, o Governo Federal desenvolveu o Plano Brasil 2022. A proposta traz uma reflexão sobre o futuro do país, fixando metas para 2022, ano que o Brasil comemora o bicentenário de sua independência. Coordenado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), com representantes de todos os Ministérios, as Casa Civil e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) o plano foi dividido em setores: Economia, Sociedade, Infraestrutura e Estado. O Plano constrói um balanço de cada setor e apontou metas e ações para os próximos anos no mundo, na América do Sul, no Brasil e também sinalizou metas para os próximos 100 anos para o país. A juventude deve ser se debruçar sobre este documento e, em uma perspectiva geracional, apresentar ao Governo suas expectativas para o presente e futuro

Um salto necessário

A 1ª Conferência de Juventude foi um marco importante para o Brasil. Mais de 400 mil jovens participaram de um processo inovador, que se tornou referência para a democracia participativa brasileira. Como exemplo, citamos a realização de Conferências Livres em todo o território nacional. Naquele momento o lema da Conferência foi “Levante sua Bandeira”. Foi a oportunidade de os/as jovens apresentarem à sociedade brasileira seus anseios e demandas.
A 2ª Conferência Nacional de Juventude precisa dar um salto de qualidade, que amplie sua capilaridade e contribua para que a juventude opine sobre os grandes temas do país. Chegou a hora de afirmar quais são as políticas prioritárias do Governo Dilma, sugerir metas, prazos e como implementá-las com participação ativa da juventude. Para tanto, será preciso uma Secretaria Nacional de Juventude mais vigorosa, que consiga de fato assegurar a transversalidade de políticas universais que atendam a juventude no conjunto dos Ministérios de forma integrada, desenvolvendo sua capacidade de coordenar programas específicos inovadores.
A 2ª Conferência precisa deliberar de maneira decisiva a necessidade de avançarmos nos marcos legais da juventude e, portanto, fazer avançar as leis que tramitam no Congresso, como o Plano Nacional de Juventude e o Estatuto da Juventude. Nesse sentido, a definição sobre quais são os direitos da juventude, quais são as políticas e programas prioritárias para garanti-los e qual é o modelo de gestão devemos ter para executá-los, devem constituir as questões provocadoras para a elaboração do texto base que circulará pelo Brasil para a discussão.
A nova proposta de regimento da 2ª Conferência Nacional de Juventude apresentado pelo CONJUVE busca defender aspectos positivos da 1ª Conferência, como as Conferências Livres e criar novos mecanismos que ampliem a participação com a organização de um sistema que permita a participação virtual pela internet e as Conferências Territoriais, no âmbito dos Territórios da Cidadania, que permitirão maior participação dos/as jovens rurais, quilombolas, ribeirinhos e indígenas.
Por fim, a 2ª Conferência deve disparar uma discussão nos movimentos, organizações, redes e fóruns de juventude para a construção de uma pauta unificada da juventude que ajude a consolidar um calendário de lutas para o próximo ano. Sem luta social organizada, sem pressão política, dificilmente avançará a Política Nacional de Juventude.

Texto de Gabriel Medina

*Gabriel Medina é presidente do Conselho Nacional de Juventude


Twitter: GabrielConjuve

UM PAÍS MAIS HUMANO

Nossa população cresceu 12,3% nos últimos dez anos, segundo o censo do IBGE. Chegamos a 190,7 milhões de brasileiros, distribuídos ao longo de um território continental, rico, fértil, dadivoso e que apresenta uma estrutura social mais equânime e menos injusta depois dos dois mandatos vitoriosos do presidente Lula.
Descobrimos através do censo de 2010 que houve um crescimento impressionante de nossa população urbana, que agora chega a robustos 84,53%. O Brasil rural, hoje um exemplo de trabalho e produtividade, todavia, tem bem menos gente. Nossas grandes capitais já são metrópoles, com todas as qualidades e todas as mazelas que isso acarreta.
Já sabemos que as mulheres são maioria, algo como quase 4 milhões a mais que os homens. Nada mal para um país que em menos de um mês será governado pela sua primeira presidenta, a companheira Dilma Rousseff.
Em uma década algumas cidades apresentaram crescimento notável. E o melhor é que as campeãs de desenvolvimento estão fora do “sul maravilha” ou das regiões mais desenvolvidas. É uma notícia espetacular! Durante a “Era Lula” Palmas (TO) cresceu 66,21%; Boa Vista (RR) alcançou os 41,73%; Macapá (AP), 40,45%; Rio Branco (AC), 32,69%; Manaus (AM), 28,22%; Porto Velho (RO), 27,46%. As populações cresceram, permaneceram em suas cidades por terem mais trabalho, mais oportunidades, melhor condição de vida, melhor saúde e educação de qualidade. O brasileiro ficou mais em sua terra natal, junto de suas raízes e dos que lhe são caros aos sentimentos, por não ter mais que se aventurar no eixo São Paulo/Rio de Janeiro ou nos Estados mais desenvolvidos do sudeste e do sul. Prova disso é que as capitais mais desenvolvidas tiveram menor crescimento, como Curitiba (a que mais cresceu no Sul e Sudeste) com 10,5%, enquanto São Paulo teve apenas 7,76%.
Temos 67,6 milhões de domicílios, dos quais 6,1 milhões estão vazios. Isso demonstra, na justa medida, que a questão habitacional está equacionada, especialmente depois dos programas sociais do governo Lula, como o “Minha Casa, Minha Vida”. Em dez anos atingimos o número de 3,3 moradores por domicílio contra os anteriores 3,75. Portanto, há mais gente no país com casa própria.
Um número, particularmente, despertou a atenção e encheu-me de alegria: estamos com expectativa de vida maior, o que denota melhor qualidade de vida, especialmente para os mais idosos. Temos 23.760 pessoas com mais de 100 anos de idade! E desses abençoados brasileiros exatos 3.525 vivem na Bahia, a terra da felicidade! Deles, uma assume o papel de exemplo de vitalidade, lucidez e amor ao Brasil e seu povo, a querida Dona Canô, mãe de Caetano Velloso e de Maria Bethânia.
Mulheres e homens que dedicaram suas vidas às suas famílias e ao seu país estão vivendo mais, com melhores condições de subsistência e mais saúde. Não faz tempo, a expectativa de vida do brasileiro era de pouco mais de 60 anos. Um indicador ruim, decorrente de um país subdesenvolvido e com graves problemas estruturais. Hoje a média de vida de nossa população chega aos 73 anos. Haverá de aumentar ainda mais por conta de um país que já desenvolve políticas sociais modernas e responsáveis, mas não deixa de ser um salto muito expressivo e digno de comemoração.

TRAJETÓRIA DA VITÓRIA E PERSPECTIVA PARA O FUTURO

A eleição presidencial de 2010 que terminou na última semana, felizmente com a vitória de Dilma Rousseff, foi uma disputa travada não, somente, no período de quatro meses da campanha eleitoral, foi o resultado da disputa entre dois projetos políticos, antagônicos, representados por PT e PSDB. Desde a eleição de FHC, em 1994, o Brasil passou por uma polarização política, que levou ao fortalecimento destes dois partidos e ao enfraquecimento das outras legendas, que se tornaram satélites, ou até mesmo foram engolidas pelas maiores.
Durante os oito anos do governo FHC/PSDB foi implantado um projeto neoliberal, privatista, de esvaziamento do estado brasileiro, que deixou as forças econômicas controlar a sociedade. O resultado disso foi uma ampliação das desigualdades entre os brasileiros. O PT foi o partido que conseguiu colocar-se como oposição a esse projeto, e que apresentou uma alternativa a este modelo, que pode ser implantada a partir da vitória de Lula em 2002. Durante seus quase oito anos de mandato, Lula/PT fez retroceder a política neoliberal de FHC. Manteve a base econômica da estabilização da moeda, mas redirecionou o esforço do Estado para dentro do país. Fortaleceu o mercado interno e diversificou as parcerias econômicas do Brasil. Isso possibilitou o aporte de novos recursos para o orçamento brasileiro, e o Governo Lula não hesitou em combater as desigualdades sociais. Programas de transferência de renda iniciaram a inclusão de uma significativa parcela da população na roda da economia, fortalecendo, ainda mais, o mercado interno, gerando empregos no país.
O final do Governo Lula se aproximou e sua sucessão tornou-se uma “encruzilhada” para o Brasil. Ou optava-se pela continuidade do projeto de inclusão social e de desenvolvimento nacional do Governo Lula, ou voltava-se para o plano neoliberal, de fortalecimento das forças econômicas do mercado. Essa foi à disputa travada neste período.
Sabidamente, o Presidente Lula antecipou a escolha do nome da sua sucessora, e indicou a Ministra Dilma, lançando o tal jogo plebiscitário. A oposição, com medo de competir com a popularidade de Lula, não lançou seu candidato antecipadamente, lançando um velho conhecido da população, José Serra, e optou por um suposto embate na comparação das biografias. A diferença entre as candidaturas Dilma e Serra, inicialmente, foi a de que Lula conseguiu unir, desde o início, os partidos da sua base aliada em torno do nome de Dilma, enquanto, a oposição partidária ao Governo Lula, representada pelo PSDB ficou dividida, pode se disser, até o primeiro turno das eleições.
Estabelecidas as candidaturas e iniciado o período eleitoral, a população tomou conhecimento da indicação de Lula, que transferiu incrivelmente uma grande parcela de sua popularidade para Dilma, que avançou nas pesquisas de intenção de voto. A oposição não se posicionava contra o Governo Lula, e não explicitava seu programa, nem defendia seu passado como governo, e só ia perdendo espaço no eleitorado. Nessa primeira fase da campanha Dilma nadou de braçada.
Ao perceber que a vitória de Dilma se concretizaria no primeiro turno, a oposição pautou a eleição não mais no campo programático nem nas biografias dos candidatos, mas direcionaram suas forças para uma campanha difamatória da candidata Dilma e de sua equipe. A grande mídia liderou esse processo, reproduzindo factóides ligados à religiosidade e a opção sexual de Dilma. Passou a atacar a competência de Dilma e criou uma rede de boataria que se iniciava na internet e era replicada pelos meios de comunicação. Foi uma campanha, reconhecidamente, classificada como suja, mas que conseguiu retirar de Dilma, no primeiro turno votos na quantidade suficiente para que a disputa fosse para o segundo turno. No entanto, não foi deslocada para a candidatura Serra, que representava a oposição, e sim para a “suposta” terceira via representada por Marina Silva.
No segundo turno, todo esse esforço de retirada de votos da candidatura Dilma regrediu, mostrando o quanto a população rejeita o modelo neoliberal representado pelo PSDB e sua candidatura, Serra. O favoritismo da candidatura Dilma confirmou-se, com a eleição de Dilma Rousseff com 56% dos votos válidos, sendo a segunda maior votação da história do Brasil, que elegeu sua primeira Presidenta.
A eleição de Dilma confirma a intenção da sociedade brasileira em avançar na pauta positiva do Governo Lula que indicava: soberania nacional, desenvolvimento econômico, distribuição de renda, inclusão social e liberdades políticas. E, ainda, trouxe um contexto favorável que é a futura configuração do Congresso Nacional, amplamente favorável a Presidenta Dilma, o que Lula não teve, tendo que negociar com os partidos e abrir mão de alguns importantes elementos de seu projeto. Neste ponto, Dilma poderá aprofundar essa pauta positiva, por herdar um país já no rumo das mudanças estruturais que acredita ser a correta e por contar com uma base congressual mais sólida. Além disso, Dilma está posta dentro do pólo progressista da América Latina, que desde a eleição de Hugo Chaves e Lula vem se concretizando na América Latina, em especial na América do Sul, com um projeto de integração regional e antiimperialista.
Por estes motivos apresentados, de um contexto geral, sem falar dos avanços setoriais do Governo Lula e do projeto de Dilma para cada um deles, é que confio que a Presidenta Dilma possa realizar um mandato tão bem sucedido quanto o do Presidente Lula, sendo mesmo uma continuidade deste trabalho, respaldada pela sociedade brasileira que pela primeira vez na democracia republicana brasileira, aceitou a indicação de um presidente para sua sucessão.


Por José de Paula Santo - Membro da JPT do Vale do Paraíba